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Manuel Mendes e o seu irmão Joaquim

Do casamento de Manuel Mendes com Maria da Conceição nasceram sete filhos. Desses apenas sobreviveram dois rapazes: o Manuel Mendes e o Joaquim, que nasceu a 17 de fevereiro de 1878, cerca de dois anos depois do seu irmão Manuel. Manuel Mendes foi padre e o seu irmão Joaquim, à morte da sua mãe, era o escrivão de direito em Torres Novas. Do seu casamento com Maria Helena Mendes nasceram oito filhos. Tudo estaria preparado para uma vida longa e feliz, com uma grande família, um futuro profissional promissor, ainda que, na carta que o jovem sacerdote M. Mendes escreve a São Luiz Gonzaga, a 21 de junho de 1928, refira: “convertei o meu pobre irmão e fazei que ele seja bem sucedido, se assim for para glória de Deus e bem da sua alma. Fazei que ele deixe aquela cegueira que sabeis”. Mas, a 15 de agosto de 1922, com apenas 44 anos, veio a falecer, perdendo, desta forma, o padre Manuel Mendes o que lhe restava da sua mais “próxima” família, seu amigo e confidente, pois um com o outro partilhavam a vida, as alegrias, as preocupações, etc….

Com a morte de Joaquim Mendes, duas preocupações recaem sobre o seu irmão Manuel: a preocupação da família que deixou na terra e a preocupação pela alma de seu irmão.

No que se refere à preocupação da família, compreende-se que, tendo morrido Joaquim, Manuel, seu irmão, haveria de assumir a responsabilidade material e moral sobre a sua cunhada e os seus sobrinhos, revelando, desta forma, a sua sensibilidade humana e a forte personalidade sobrenatural. De facto, morto o irmão, recai sobre ele a missão de ser o amparo dos seus e fiador da sua fé. Cumpre sacrificadamente até ao fim, não só responsabilidades espirituais ou morais, mas também materiais, que não foram poucas. Basta pensarmos um pouco na personalidade de Manuel Mendes…

Mas a maior preocupação do Pe. Manuel Mendes era a salvação do seu irmão Joaquim. Por ele orava, fazia orar, pedia que orassem, oferecia missas pelo eterno descanso do seu irmão. Ao passarmos os olhos pelas agendas do Servo de Deus notamos que, no dia do aniversário da morte, a missa era oferecida pelo seu irmão Joaquim. Porém, há um aspeto curioso: até 1930, sempre escreve: “fazia hoje X meses (anos) que Nosso Senhor o chamou. Pobre irmão. Lembro-o tanto! Fiat!”. E em 1930, já está escrito: “Missa em ação de graças por dons concedidos a meu irmão que hoje [17 de Fevereiro] faria 52 anos e cuja salvação e entrada no céu me foi assegurada pela Madre Inês de Jesus, irmã de Santa Teresinha”. Tendo terminado as exclamações de aflição quanto à salvação do seu irmão, recebeu, assim acreditamos, a certeza espiritual da sua salvação.

Há, neste “capítulo” da vida de Manuel Mendes, um aspeto muito curioso, que importa realçar, o amor corresponsável pela sua família, não só em questões morais mas também materiais, pois muitos foram os sacrifícios monetários feitos por ele para que nada faltasse aos seus sobrinhos e à sua cunhada, muitas mortificações fez pelos do seu sangue, para que nada lhes faltasse ao corpo e à alma.