Ainda na cidade eterna – Dois marcos importantes

Na Cidade Eterna, Manuel Mendes vive dois marcos muito importantes: o primeiro é a celebração do seu vigésimo aniversário, a 13 de dezembro de 1896 e a receção da sua ordenação subdiaconal, celebrada em Roma, um ano depois, a 18 de dezembro de 1897.

O jovem estudante considera a celebração do seu vigésimo aniversário um marco importante na sua vida, um tempo de análise e de exame de consciência, por um lado, e a ocasião propícia para iniciar um novo tempo na sua vida, um tempo de maior conformidade com a vontade de Deus, como ele próprio escreve nos seus apontamentos: “Completo hoje 20 anos. Passou por mim uma parte importante da vida, quem sabe até, se a maior parte dela? Que emprego tenho eu feito destes anos que Nosso Senhor me tem concedido? Ah! eu devera tê-los empregado muito melhor do que tenho feito… Deus concedeu-mos para que eu amasse e o servisse, e eu, pelo contrário, tenho abusado do seu dom para ofendê-lo!… Perdão, ó meu Deus, por tal ingratidão! Ao menos que o novo ano de vida que para mim vai começar seja todo dedicado ao vosso santo serviço! Eu não sei o tempo que me resta de vida, mas seja ele qual for, eu quero consagrá-lo a Vós”. Consagração esta que o jovem Manuel Mendes da Conceição Santos concretizou nos seguintes propósitos: “1.º, consagrar o novo ano da minha vida ao Coração Dulcíssimo de Jesus, à minha querida Mãe Maria e ao Sr. São José; 2.º, procurar convencer-me do nada que é o mundo e pensar frequentes vezes na morte; 3.º, obedecer prontamente aos meus superiores e usar caridade com os companheiros; 4.º, evitar o dizer palavras em louvor próprio e atribuir a Deus todo o bem que em mim puder haver, pois que é verdadeiramente seu e não meu; 5.º, procurar crescer na devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a Nossa Senhora e a São José; 6.º, esforçar-me por conseguir um verdadeiro espírito de sacrifício”.

Nos apontamentos relativos ao retiro preparatório da ordenação de subdiaconado que aconteceu em Roma, a 18 de dezembro de 1897, consciente da sua vocação e do passo importante que irá dar e que o levará ao sacerdócio, Manuel Mendes faz os seguintes propósitos, fazendo eco daqueles que faz para o ano de 1897, o qual consagra aos Corações de Jesus e Maria: “Eu coloco este ano sob a proteção do Coração dulcíssimo de Jesus e da Santíssimo Virgem, Mãe de Deus e minha Mãe e do Senhor São José, meu especial protetor. Eu o consagro à Sagrada Família e procurarei com o auxílio do meu Jesus pôr em prática os seguintes propósitos, poucos, para poder fazer alguma coisa: 1.º, procurar adquirir um amor terno e filial ao Coração dulcíssimo de Jesus e a sua Mãe Santíssima; 2.º, esforçar-me por adquirir a santa virtude da humildade; 3.º, não perder tempo”.

Há, porém, outros propósitos que foram sendo constantes nestes e noutros retiros mensais e que foram solidificando a vida deste jovem promissor da história da Igreja portuguesa e que poderíamos resumir em dois propósitos: 1.º, procurar ser mais humilde, usando de doçura para com os companheiros e abatimento do seu eu; 2.º, ter devoção terna e prática a Maria que, como se pode ler nas suas “Notas Íntimas” de 1925, passar por “ter por Ela alta estima, admirar as suas virtudes e prerrogativas, falar dela com sincero entusiasmo, inculcar aos outros que recorram a Ela mas, sobretudo, amá-la com amor filial e portanto espontâneo. Eis as caraterísticas que eu quero ver em mim”.

A Postulação

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