Ainda na cidade eterna

Roma, para Manuel Mendes, não foi apenas um lugar e um tempo de formação intelectual e de preparação para a missão que lhe havia de ser confiada, tanto na docência, como professor do Seminário de Santarém e da Guarda, como na vida pastoral, primeiro em Santarém, e depois na cidade da Guarda, em Portalegre e, por fim, em Évora. Acima de tudo, este jovem seminarista aproveitou este tempo como um tempo de graça e de crescimento espiritual. Fruto desta sua preocupação espiritual, são os apontamentos e os propósitos que retirava em cada retiro anual ou recoleção mensal e que chegaram até nós. Transcrevê-los é uma ocasião para conhecermos um pouco mais a vida interior deste jovem estudante de teologia e a sua forma de ser e de viver como sacerdote, Bispo de Portalegre e Arcebispo de Évora, e os pilares da sua devoção e, por conseguinte, da sua espiritualidade.

Em setembro de 1896, com apenas 19 anos, Manuel Mendes faz quatro propósitos para esse mês muito sucintos: “1.º Não me gabar nem procurar ser gabado, especialmente quanto a coisas espirituais; 2.º Fazer alguma mortificação, ao menos interna; 3.º Preparar-me atentamente para a Santa Comunhão e não deixar jamais uma recolhida ação de graças; 4.º Atender bem à meditação; 5.º Não murmurar”.

No mês seguinte vai esforçar-se para adquirir as graças da castidade, da humildade e da alegria. Para tal, faz os seguintes propósitos: “procurar despertar em mim uma profunda contrição dos meus pecados e fazer frequentes atos de contrição perfeita; suplicar instantemente ao Coração Dulcíssimo de Jesus, a Sua Santíssima Mãe, ao meu especial protetor, o Senhor São José, e ao glorioso São Luís Gonzaga, a graça da Santa castidade, que é tão necessária a todos, mas especialmente àqueles que se sentem chamados ao estado sacerdotal. Oh! a castidade! Ela nos torna émulos dos anjos e nos aproxima do trono de Deus! Estar sempre, com o auxílio de Deus, preparado para combater o demónio da impureza, o qual nunca descansa, mas sempre procura atacar-nos. Mortificar, portanto, os sentidos (ainda com respeito a coisas lícitas), a curiosidade, etc….”; “procurar compenetrar-me bem do meu nada e alcançar a santa e indispensável virtude da humildade. Deus resiste aos soberbos e desampara-os, mas enche de graças aos humildes. Para chegar a conseguir esta virtude é necessário orar, orar e depois orar, orar sempre. É um dom de Deus que só se obtém com oração e oração perseverante.” Por fim, “procurar adornar agora, na minha juventude, a minha alma com a doce beleza da graça, com a alegria e paz do Senhor e com uma santa generosidade. Para isso: 1.º, fugir de todo o pecado, ainda que venial. Note-se bem ainda venial, porque o pecado venial deliberado é a maior desgraça que possa acontecer depois do pecado mortal; 2.º, fugir da ociosidade e, por isso, estudar com afinco, não por mesquinhos fins terrenos, mas para uma maior glória de Deus”.

A Postulação

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