Dados Biográficos

Manuel Mendes da Conceição Santos nasceu no dia 13 de dezembro de 1876, na freguesia de Olaia, concelho de Torres Novas e foi batizado no dia 28 do mesmo mês, pois os seus pais, Manuel Mendes e Maria da Conceição Rodrigues Mendes, eram verdadeiros católicos.

Manuel Mendes aprendeu as primeiras letras na sua terra e aos nove anos foi estudar Português e Latim com um tio, o padre Joaquim Gomes Duque, que residia em Carvalhal de Aroeira. Aprendia com bastante facilidade. Os pais acharam que ele devia frequentar uma escola particular em Torres Novas para poder fazer o exame de Instrução Primária Elementar. Inesperadamente, reprovou no exame. Mas foi a primeira e única reprovação, pois, no ano seguinte, fez os exames Elementar e Complementar e em ambos teve altas classificações.

Aos catorze anos quis ir para o seminário, pois sentiu que Deus o chamava a ser padre. Foi então para o seminário de Santarém. Como era muito inteligente fez logo no final do 1º ano quase todos os exames do Curso Preparatório, obtendo elevadas classificações. Foi sempre excelente aluno, até no 1º ano de Seminário, em que, por doença, perdeu todas as aulas do 1º período. Era muito admirado pelos colegas e professores pela sua inteligência, simpatia, humildade, talento e bondade. Os colegas recorriam a ele quando tinham dificuldades no estudo e os superiores quando precisavam de fazer programas de festas ou na solução de casos difíceis.

Por ser um excelente aluno e ter tão bom coração, foi escolhido para ir para Roma completar os estudos para ser padre, em 20 de outubro de 1895. Em Roma, sentiu-se maravilhado com a cidade, com as suas estátuas, jardins e monumentos. Porém, também se preocupava com os problemas da Igreja, e, principalmente, pela situação difícil de grande pobreza e atraso económico que se vivia em Portugal. Em Roma, frequentou a Faculdade de Teologia da Universidade de Santo Apolinário e, no final do ano letivo de 1897-98, obteve o grau de doutor em Teologia. Para além dos estudos de Teologia, sentia que um padre deve ter uma visão muito clara de todas as ciências, tanto divinas como humanas. Por isso adquiriu muitos conhecimentos em diferentes áreas. Esses conhecimentos vão ser-lhe muito úteis mais tarde, já em Portugal, na defesa dos direitos e liberdades da Igreja e dos valores e princípios que qualquer país deve pôr em prática.

Ao final de três anos de estudos em Roma e já doutor em Teologia, regressou a Portugal e foi nomeado prefeito e professor no Seminário de Santarém. No ano seguinte, em 27 de maio de 1899, foi ordenado padre, tendo celebrado a primeira missa na vila de Torres Novas, na Igreja do Salvador, no dia 4 de junho. Nos cinco anos seguintes continuou a ser prefeito e professor no Seminário de Santarém, até que, em 1900, deixou de ser professor para ser só prefeito. Em 1903 foi nomeado reitor do Liceu daquela cidade, fazendo parte do júri de exames de Inglês durante dois anos. Todos admiravam a sua competência, simpatia e bom coração.

No ano letivo de 1905-06 é convidado pelo bispo da Guarda para ser vice-reitor e professor de Teologia no Seminário daquela diocese. Em 1909 é nomeado Cónego. A sua principal preocupação é a formação dos seminaristas. Os seus conhecimentos de Jornalismo adquiridos em Roma levam-no a fundar, com os seus alunos, o pequeno jornal “A Abelha”.

Nas suas homilias procurava sempre consolar e animar as pessoas que sofriam mais dificuldades. Estava sempre atento aos mais necessitados, o que o levou a fundar Obras Pias, Apostolado de Oração, Filhas de Maria, Agasalho dos Pobres…, obras nas quais punha em prática a sua caridade, o seu talento e virtudes, sempre ao serviço dos mais pobres. As suas boas obras estenderam-se a várias cidades, vilas e aldeias da diocese da Guarda. Era tão próximo e querido das pessoas que, quando teve que deixar a cidade da Guarda, todas as pessoas se despediram dele com muita tristeza.

  1. Manuel Mendes dos Santos saiu da Guarda porque foi eleito bispo de Portalegre, onde entrou em 7 de maio de 1916. Era o mais jovem dos bispos portugueses. Iniciou a sua missão de bispo numa época difícil, devido à recente implantação da República. Percorreu toda a diocese, em vários meios de transporte, sempre animando os desalentados e procurando boas vontades para colaborarem com ele no seu apostolado. Era muito resistente e descansava pouco. Dizia: “tenho uma eternidade para descansar”.

Deu nova vida às Conferências de S. Vicente de Paulo e fundou o Apostolado de Oração, a Associação das Filhas de Maria e a Associação das Damas da Caridade, apoiando sempre muito os desprotegidos. Durante a epidemia pneumónica, esteve à frente de uma comissão para ajuda e apoio aos doentes e aos órfãos. Outra das suas grandes preocupações foi a formação e santidade dos padres. Para isso, fundou um Seminário em Mação, que pouco depois transferia para Gavião, e foi professor no Seminário de Proença-a-Nova.    

Em 4 de junho de 1920, o papa Bento XV nomeou-o para a Diocese de Évora, para ir trabalhar com o Arcebispo D. Augusto Eduardo NunesNo mês seguinte faleceu o Arcebispo de Évora e D. Manuel Mendes sucedeu, nos destinos da Diocese de Évora, a D. Augusto, mas não foi muito bem recebido pela população.

Em Évora, a sua primeira e grande preocupação foi a formação dos padres. O Seminário tinha, nessa altura, cerca de vinte alunos. Começou por fundar, em 1935, o Seminário Menor de S. José em Vila Viçosa e, em 1950, restaurou o Seminário Maior de Nossa Senhora da Purificação, em Évora. Alguns anos depois já havia mais de uma centena de sacerdotes espalhados pelo Alentejo. Ao morrer, deixou mais de duzentos seminaristas, com professores formados nas melhores Universidades estrangeiras.

Como em Évora não havia nenhuma escola de formação moral e religiosa, chamou as Irmãs de Santa Doroteia para reabrirem o seu Colégio de Nossa Senhora do Carmo, encerrado doze anos antes, para educação de meninas. Em Elvas também foi fundado o Colégio Luso-Britânico para educação feminina, dirigido pelas Irmãs Teresianas. Em 1935 fundou o Colégio Nuno Álvares, para educação de rapazes. Para amparo e proteção dos mais desprotegidos, chamou à sua cidade os Padres Salesianos que, em 1926, abriram o Oratório Festivo de S. José e as Filhas de Maria Auxiliadora que, desde 1940, passaram a dirigir a Casa Pia Feminina. À educação da juventude dedicou sempre grande atenção e carinho.

Para haver assistência religiosa nos hospitais, foram criados mais de duas dezenas de hospitais, com enfermagem ministrada por religiosas de várias Congregações. Também apoiou o Apostolado de Oração, as Congregações Marianas, o Escutismo, etc. Igualmente se preocupou com a organização da catequese e de retiros espirituais.

Pouco depois de entrar em Évora, o novo Bispo fundou, em 1923, a Liga dos Agricultores Católicos, destinada a apoiar os trabalhadores rurais. Organizou na Arquidiocese a Ação Católica. Não perdia uma única ocasião de assistir a todos os movimentos da Ação Católica, onde a sua palavra era atentamente escutada.

  1. Manuel dedicou-se também à Imprensa Católica.Na Guarda, foi cofundador do semanário A Guarda e um dos seus diretores, sempre defendendo os direitos da Igreja e lutando contra a mentira e a falsidade.Logo que entrou em Évora como Arcebispo, uma das primeiras preocupações foi fundar um semanário da Arquidiocese. Adquirida uma empresa tipográfica, criou a Gráfica Eborense que, em maio de 1923, começava a publicar o Jornal A Defesa, que ainda hoje existe.

O Governo da Nação, reconhecendo os seus méritos de Bispo, de grande patriota e benemérito de todos os desprotegidos da sorte, homenageou-o, em 1933, com a Grã Cruz da Ordem de Cristo e, em 1943, com a Grã Cruz Benemerência.

D. Manuel Mendes da Conceição Santos morreu na manhã de 30 de março de 1955. Dedicou toda a sua vida ao serviço de Deus e do próximo. Mas o Senhor D. Manuel, que durante trinta e quatro anos percorreu todo o Alentejo, permanece vivo nos seus escritos que contêm muitos ensinamentos. A sua memória ficou gravada nos corações de todos os que com ele privaram. O seu nome ficará sempre ligado à primeira metade do século XX em PortugalEm Évora, a sua estátua é uma homenagem sentida ao intenso trabalho que desenvolveu nesta cidade em favor da Igreja e de toda a população, especialmente os mais desfavorecidos.