Na Cidade Eterna

O jovem seminarista Manuel Mendes da Conceição Santos, quatro dias depois de iniciar a sua viagem e do presente de Nossa Senhora, que foram as 28 horas em Lourdes, finalmente chega a Roma, à cidade Eterna, para ali continuar os seus estudos teológicos, iniciados no Seminário de Santarém, contrariamente àquela que era a vontade dos seus superiores, mas que não pôde ser vivida de forma diferente, por causa da fragilidade da sua saúde.

Chegado a Roma, vai até ao Seminário Pontifício Romano, a sua casa durante os três anos seguintes, a fim de frequentar a faculdade de Teologia e terminar os seus estudos teológicos, obtendo o grau de doutor no fim do ano letivo de 1897-1898, em Teologia e em Letras Latinas, pelo Instituto Leão XIII. Com a bagagem e os dois cursos, trouxe ainda para Portugal um apreciável conhecimento em espanhol, italiano, inglês, francês e alemão, além do grego, do árabe e do hebraico. Porém, o mais importante que trouxe na sua bagagem foi o amor incondicional à Santa Igreja e ao Santo Padre e “uma consciência cristalina e pura numa alma a arder em anelos de apóstolo”, como escreve o seu grande biógrafo, Dom Francisco Maria da Silva, na obra “Alma do Arcebispo Apóstolo”.

Apesar da sua extraordinária inteligência e astúcia intelectual, o que mais marcou os condiscípulos de Manuel Mendes da Conceição Santos foi a sua extrema bondade e a profunda simplicidade e modéstia, alicerçada na sua vida e numa sólida cultura. Dom João Evangelista Sousa Vidal apresenta-nos Manuel Mendes da seguinte forma: “Pouco mais ele era então do que uma viva e graciosa criança, com aquela estrela branca que lhe ria e brilhava na testa, com as duas luzes acesas dos olhos, com os ss a sibilar nos lábios, com o seu todo de Menino Jesus no meio dos doutores da Lei a fazer-lhe perguntas e a comentar as respostas.

Ele não era como qualquer um de nós. Não lhe pareciam interessar grande coisa as infinitas flores do jardim, a sucessão dos famosos italianos consagrados no bronze e no mármore ao longo das avenidas do parque, nem os dois irmãos Caioli no seu pedestal de heroica bravura, nem a Mãe de Moisés com o berço do seu menino à beira do Nilo, nem mesmo o esplêndido panorama de Roma a estender-se dali com as suas trezentas maravilhosas cúpulas, com as suas incomparáveis ruínas, com a luz, própria e única da sua história!

O que quase por completo parecia encher aquele pequenino predestinado crânio era a compreensão e a dor dos males religiosos da Pátria e, diante desse lastimoso quadro, a organização do futuro. Esse jovem Manuel tomava já os caminhos de cursor do ressurgimento religioso, social, cultural, académico, que, mais tarde, sob a sua poderosa e indefetível mão de chefe, havia de tomar entre nós formas tão belas, tão cheias de esperança e de encanto”.

Compreendemos, pois, que Manuel Mendes bem aproveitou o tempo para a sua formação intelectual com o intuito de, como veremos em grandes e difíceis momentos da história de Portugal, da Igreja e do servo de Deus, mais e melhor servir e defender a fé católica e os valores cristãos, formando leigos conscientes, crentes e militantes.

A 4 de Maio de 1898, Manuel Mendes termina o doutoramento em Teologia e regressa imediatamente a Portugal, sem ter recebido as ordenações de Diácono e de Presbítero. Vem ainda formado em Línguas clássicas e com bastantes conhecimentos em outras várias línguas.

A Postulação

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