Na formação do laicado

O jornalista insigne Joaquim Dinis da Fonseca, em jeito de testemunho, apresenta, de forma bastante esclarecedora, a missão do Padre Manuel Mendes na formação de uma Igreja consciente e responsável: «Quando o conheci, era eu menino e moço e tinha à minha volta todas as consequências sociais e todas as perversões sociais do liberalismo: o arrefecimento da fé católica ancestral, a invasão naturalista e paganizadora, a indisciplina e o descrédito da autoridade civil e religiosa, o culto idolátrico do estrangeiro e o vilipêndio de tudo o que ainda era português! Foi neste meio e nesta atmosfera que teve de atuar o apostolado cristão do então novel sacerdote P. Mendes dos Santos.

Recordo-me do primeiro artigo escrito, pelo recém-chegado reitor do Seminário, para a revistinha, A Guarda, precursora do que viria a ser, com o mesmo título, o glorioso órgão da imprensa católica. Esse artigo glosava uma velha lamentação suscitada pela invasão agarena na Península, arrasadora da antiga florescência cristã. Quem é hoje ainda cristão e godo nestas terras pisadas pelas hostes agarenas! Perante a invasão maçónica que avançava, o Padre Mendes Santos exclamava por seu turno: quem há aí ainda católico e português nestas terras outrora de Santa Maria?!…

Desse artigo podia extrair-se todo o programa que o novo Reitor do Seminário se propunha executar, com acendrado espírito sobrenatural e ascético fervor: era preciso renovar as fontes sobrenaturais do cristianismo do nosso país; era preciso libertar a Igreja das gargalheiras regalistas que a asfixiavam; era preciso renovar a velha alma nacional, que fizera toda a nossa grandeza histórica, renovando o conceito da autoridade e o respeito e cooperação que lhe são devidos, contra os fermentos desagregadores da anarquia individualista; renovar o conceito de justiça social e de caridade social de que a vida portuguesa fora exemplo, contra os fermentos da desordem económica e financeira que haviam empobrecido a nação e feito o seu descrédito no mundo! A Providência chamava-o para mestre e orientador deste movimento, embora poucos o pudessem suspeitar, ao vê-lo tomar conta da reforma de um seminário provinciano!

Essa missão de que a Providência o incumbira, exerceu-a até ao fim, com insuperável inteligência e intemerata fidelidade, restaurador do espírito eclesiástico, como Reitor do Seminário da Guarda; impulsionador do movimento em favor da independência e liberdade da Igreja, contra o regalismo, ou cesarismo disfarçado, fingindo este dar apoio às regalias episcopais contra a autoridade da Santa Sé, para, no fundo, acorrentar sacerdotes e Bispos à tirania balofa de um poder civil cuja autoridade desservia os interesses da Pátria e afundava o prestígio da Nação!

Em todos estes lances, a Igreja encontrou, em D. Manuel da Conceição Santos, o Mestre e orientador arguto e intemerato na defesa das liberdades da Igreja, contra os que as negavam, ou falsamente as defendiam, fazendo delas apenas trampolim político!

A sua formação eclesiástica fora completa e doutrinalmente esclarecida; a sua atividade sacerdotal sempre iluminada pelos esplendores de um espírito sobrenatural incorruptível; a sua autoridade de professor e de Prelado sempre atenta aos ensinamentos, advertência e diretrizes da Igreja, fazendo dele um guia sempre pronto e seguro, um Mestre sempre escutado, um Chefe sempre acolhido com respeito, nas horas perturbadas e trágicas em que a Autoridade da Igreja foi abertamente negada por uns, e respeitosamente desacatada por outros, numa rebelião perturbadora da disciplina católica e da própria unidade da fé!»

A Postulação

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