Os primeiros anos ao serviço do Reino

Ordenado Presbítero, Manuel Mendes continua a exercer as funções para as quais tinha recebido nomeação do Cardeal patriarca de Lisboa, Dom José Sebastião Neto, aquando da sua chegada a Portugal, ou seja, ser o Perfeito de Estudos do Seminário Patriarcal de Santarém, ministério que o acompanhou durante 5 anos, de 1900 a 1905, e professor do terceiro ano de latim, de conversação latina e de teologia dogmática. Em 1903, a estas disciplinas juntou ainda a lecionação da disciplina de Alemão e participação no júri dos exames de Inglês, no Liceu Nacional de Santarém.

A par da docência, a vida do Padre Manuel Mendes ao serviço do Reino abarcou muitas outras áreas, fundamentalmente no campo espiritual, fomentando uma verdadeira e profunda vida espiritual em tantas almas que, através dos retiros por ele pregados, da confissão sacramental ou da direção espiritual, foi considerado unanimemente um homem de coração e de talento.

Ocupa ainda um lugar muito importante no exercício do seu ministério destes primeiros anos de sacerdócio o serviço da pregação. Fruto do conhecimento que lhe vinha do estudo, da sensibilidade que lhe vinha da oração e da eloquência simples da palavra tocante que lhe vinha do conhecimento da pessoa humana e ainda da sua história de vida, amassada na Palavra de Deus, torna-se um inflamado e bem conhecido pregador (caraterísticas que manteve até aos últimos dias da sua vida para os mais variados e ilustres auditórios), porque anunciava Jesus Cristo aos homens com sede de Deus, matando a sede dos homens com a sede de Deus.

Exemplos claros são os seus escritos nestes primeiros tempos, onde se percebe que cada pregação era preparada com todo o cuidado e conhecimento da doutrina da Igreja, minúcia e arte no uso da sua língua materna e maturidade nascida da reflexão, que o levava a escrever com maestria, simplicidade, profundidade, musicalidade e extremo coração. Proferida na sua terra Natal, a sua primeira pregação manifesta, com profunda clareza, as caraterísticas anteriormente referidas: “Bela e consoladora é para todos vós e para mim esta coincidência […]. Para vós, porque no dia da glorificação da Virgem, vindes render pública e solene homenagem ao culto do Divino Espírito Santo, àquele por cujo hálito a Igreja é bafejada, cuja ação a anima, cujo influxo a vivifica […]. Para mim, porque filho desta freguesia, batizado nesta Igreja e tendo passado entre vós os primeiros anos da minha existência, não posso deixar de sentir um não sei quê de extraordinário em meu coração ao ver-me de novo entre vós a distribuir-vos o pão da divina palavra”.

Testemunha Francisco Maria da Silva, na obra “Alma do Arcebispo Apóstolo”, que o Padre Manuel Mendes “começou por onde todos começam: subiu, porém, a alturas de pouco atingidas. Foi Mestre na arte de dizer e entrou na Academia. Uma nota impressionante desde já: a fidelidade ao Evangelho. A sua pregação tem uma constante, que são as verdades eternas e reveladas, aplicadas sempre às necessidades dos novos tempos. Começou o seu magistério no púlpito, mostrando os flagelos inerentes ao pecado; quem o ouviu, ainda nos últimos anos de vida, quando subia à cátedra  solene da Sé ou se dirigia a auditórios simples, pode testemunhar que o tema ainda era idêntico. Cristalizará? Mas o Evangelho não é constante? Uma só coisa o preocupava: a glória de Deus e que os homens, com a sua vida honesta e pelo cumprimento integral do seu dever, prestassem ao Senhor as homenagens que Lhe são devidas”.

Todo este trabalho nunca o impediu de estudar, familiarizando-se e aperfeiçoando os seus conhecimentos nas línguas inglesa, francesa, alemã, espanhola e italiana, usando-as tanto na escrita como na oralidade com altíssima correção e “manejando-as com excecional facilidade”, como, mais tarde, grandes literatos o testemunham. Guilherme de Vasconcelos Abreu, notável orientalista, contemporâneo do Padre Manuel Mendes e considerado por muitos “insuspeito e sábio professor, testemunha que “fazendo um propositado, embora disfarçado, exame ao saber do sr. Dr. Mendes Santos, concluí que era mais sabedor do que eu podia suspeitar”.

 

A Postulação

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