Postulação de D. Manuel Mendes da Conceição Santos vai ter núcleo museológico (c/vídeo)

Évora, 16 mar 2021 (Ecclesia) – A causa da postulação de D. Manuel Mendes da Conceição Santos (1876-1955), na Arquidiocese de Évora, vai abrir um espaço próprio, numa das artérias turísticas da cidade, para aí fazer a sua sede.

“Este espaço é um encontro vivo com D. Manuel Mendes, com os seus objetos, com as suas marcas de santidade que transparecem da sua vida modesta, exigente, da sua atitude orante”, refere à Agência ECCLESIA D. Francisco Senra Coelho, arcebispo de Évora.

O novo espaço vai acolher um museu onde será possível contactar com objetos pertencentes a D. Manuel Mendes da Conceição Santos, ligados à sua e ação pastoral do arcebispo que chegou à cidade alentejana há 100 anos.

Numa entrevista emitida hoje na RTP2, D. Francisco Senra Coelho assume a vontade de inaugurar este espaço na Quinta-feira Santa, altura em que o clero diocesano se reúne na Sé para a Missa Crismal.

O responsável católico destaca a grandeza espiritual deste antigo arcebispo, uma figura “querida pelo povo, que o evoca como “santo”.

“O seu túmulo nos claustros da Sé de Évora é visitado, é rezado, aparecem flores, velas”, indica.

Estes são elementos que, para o atual arcebispo, revelam uma “devoção a D. Manuel Mendes  como intercessor nesta teologia do corpo místico de Cristo”.

A Arquidiocese de Évora assinala este ano o centenário da entrada solene de D. Manuel Mendes da Conceição Santos, que aconteceu a 11 de fevereiro de 1921.

D. Francisco Senra Coelho chama a atenção para “o homem que vai, na proximidade, ao encontro”, em particular do seu clero.

“Ele aparecia de surpresa, mas levava um baú com o almoço que depois partilhava com o sacerdote que visitava. Durante a refeição, inteirava-se das suas condições de vida, conhecia cada padre no pormenor da sua história”, relata.

O entrevistado destaca também a atenção especial que D. Manuel Mendes dedicou ao Seminário, apostando num ensino de qualidade.

O trabalho da causa de canonização já concluiu a recolha do arquivo histórico, surgindo a necessidade de criar uma nova comissão “para elaborar o relatório final”.

O arcebispo de Évora considera que D. Manuel Mendes deixou inscrita na arquidiocese “uma pegada de humanização, de proximidade e coração de pastor”.

Esta relação ultrapassa as fronteiras territoriais de Portugal, com relatos a chegarem das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo sobre “sinais vivos de graças recebidas”.

“Reconciliação de esposos, filhos desejados que não se alcançavam e aconteceu uma gravidez desejada, situações de curas de crianças” refere D. Francisco Senra.

D. Manuel Mendes da Conceição Santos, nasceu em 1876, no lugar de Pé de Cão, Freguesia de Olaia, Concelho de Torres Novas; entrou no Seminário de Santarém, a 2 de agosto de 1890 como aluno gratuito, por “ser oriundo de uma família economicamente pobre”.

Enviado para Roma, em 1985, formou-se em Teologia Dogmática e Línguas Clássicas, e regressou a Portugal em 1898, sendo nomeado perfeito e professor de Teologia do Seminário de Santarém.

Ordenado presbítero, passou pela Diocese da Guarda como vice-reitor do seminário, foi nomeado bispo de Portalegre pelo Papa Bento XV, onde deu entrada 7 de maio de 1916; quatro anos mais tarde, foi nomeado bispo-coadjutor do arcebispo de Évora, D. Augusto Eduardo Nunes, entrando definitivamente na arquidiocese a 11 de fevereiro de 1921 e ali permanecendo até à sua morte, em 1955.

HM/OC

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