Vantagens e desvantagens de ser Padre Diocesano

Estamos num momento conturbado na vida de Manuel Mendes da Conceição Santos. Por um lado, o seu coração pedia-lhe que considerasse o seu lugar ao serviço da Igreja (pela segunda vez, a procura do seu lugar entre ser padre diocesano ou padre secular inquieta a sua alma); por outro lado, a sua figura moral, intelectual, sacerdotal e apostólica era de tal projeção nacional que, ao vagar uma sede episcopal, o seu nome entrava imediatamente no grupo dos possíveis bispos daquela diocese. Se quanto ao lugar onde viver e exercer o ministério sacerdotal ele andava muito confuso, quanto ao chamamento ao episcopado estava profundamente lúcido, considerando que não tinha capacidades para exercer tal ministério… Por isso, em atitude de retiro espiritual, pedia as luzes ao Espírito sobre o lugar do seu sacerdócio e, de “entreajuda eclesial”, valeu-se dos seus conhecimentos para apresentar a sua “auto-incapacidade”, apelando a que se desmentissem publicamente as notícias acerca da possibilidade de ser Bispo…

Neste momento difícil para si, Manuel Mendes vai apontando as vantagens e as desvantagens de ser padre diocesano e padre jesuíta. Deixemos, pois, que seja a sua alma a escrever os próximos artigos e a nos apresentar as vantagens e desvantagens de continuar a ser padre diocesano:

“Vantagens, sendo sacerdote secular: 1ª, poderia, com o auxílio de Deus, fazer bem às almas dos futuros sacerdotes no Seminário de Santarém, procurando incutir-lhes as ideias que em Roma me foram inspiradas; 2ª, poderia concorrer para dar aos estudos teológicos uma orientação mais conforme à sua índole que a que se segue em Portugal; 3ª, se o meu Prelado me mandasse para a vida paroquial, poderia fazer algum bem ao povo com algumas novas práticas que se usam lá fora, ou me fossem sugeridas por algum bom livro; 4ª, poderia, se Nosso Senhor me inspirasse a isso, fazer algumas tentativas para introduzir as missões de sacerdotes seculares, os quais tantos frutos produzem lá fora; 5ª, com o ministério do confessionário poderia fazer grande bem às almas em Santarém e em Torres Novas; 6ª, concorreria por agora com conselhos e com a minha companhia para o bem espiritual de meu irmão; 7ª, tendo liberdade, poderia ir ora a umas ora a outras terras, tendo para isso oportunidade, e aí exercitar o ministério de pregação e do confessionário; 8ª, tendo sido mandado estudar a Roma para servir a Diocese, eu não devo talvez escolher um estado que me poderá impedir de prestar aqueles serviços que o Prelado de mim esperava; 9ª, o Santo Padre disse-me que viesse para Portugal trabalhar pelo movimento católico, pois havia cá falta dele. Ora, sendo religioso não poderia corresponder ao que o Santo Padre mostrou querer de mim”. 

Porém, também há, segundo o seu coração, desvantagens em ser Padre diocesano e são elas: “1ª, terei que me ocupar de negócios temporais ou por causa da família ou para prover à minha sustentação; 2ª, corro muito risco de me dar à dissipação já pela convivência com a gente do mundo, já pelos exemplos pouco edificantes de alguns sacerdotes; 3ª, dificilmente me poderei eximir dos inconvenientes que trazem consigo os concursos a benefícios, atento o modo como se dão os benefícios em Portugal; 4ª, terei ocasião de satisfazer uma certa ambiçãozinha de honras e dignidades que sinto, embora diga que quero ser humilde; 5ª, uma das razões que me leva a querer ficar no estado de sacerdote secular é um certo desejo que tenho de estar no que, relativamente a este estado, se poderia chamar o grande mundo”. 

Quando uma alma é de Deus, não tem medo da verdade de si mesmo!…

A Postulação

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